E num dia qualquer, agarrei-me a um singelo lápis de cor verde água, tal como as águas mais cristalinas de diversas cachoeiras, e pus-me a escrever. Não eram mais frases, estrofes ou livros, comecei a escrever minha própria vida, de forma que só eu poderia saber como fazer. E com o lápis mais belo da minha caixa de lápis de cores, comecei com rabiscos, depois letras e números, queria escrevê-la por completa, sem que nada pudesse faltar. Eu era uma Capitolina atrás do meu Bentinho. Ah, Bentinho... Por que demoras tanto para agarrar-me em teus braços? Por que demoras tanto para convidar-me à mais longa das valsas? Que tola sou pelo que digo, mas tudo bem, e atualmente, quem não é tolo? Mas minha tolice abrange a doçura do meu coração, palavras bobas saem e dançam pelo ar antes que eu possa perceber... E daí se meus olhos não são azuis ou verdes água como o meu mais belo lápis? Meu Bentinho gosta deles como são: quase negros e inteiramente profundos. Agora basta encontrar meu Bentinho, ah, mas este é só um pequenino detalhe... Todavia, meus lábios cantarolam a mais bela de todas as canções, o tal sorriso é inevitável, e meu corpo adormecido se encontra no auge de sua sanidade. A vida nunca me sorriu assim antes, apesar de toda a confusão que se passa por minha cabeça, meus olhos transbordam de alegria e lágrimas se derretem ao entrar em contato com meu rosto quente e continuam escorrendo, livrando-me de toda a dor que um dia sentira... Desenharei tulipas, rosas, margaridas, arco-íris, borboletas, joaninhas, e borrifarei um pouco de sentimento em tudo o que vier às minhas mãos, e desta vez não estou acanhada ou com medo de machucar-me, pois estou completa com todas as mais belas e simples coisas ao meu redor, com todo o bem e todo o amor que existe no mais profundo do meu puro coração. Tudo o que há de vir, será somente para me transbordar... Eu sorri para a vida e ela pôde me devolver tudo o que havia conseguido me tirar.

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